sábado, 21 de julho de 2012

Equador

Grande livro. Superou muitíssimo as minhas expectativas. Não que não tivesse ouvido as inúmeras críticas positivas e sabido das também inúmeras tiragens que tem. Mas a verdade é que eu não vou normalmente em vícios e aclamações das multidões e achei que não me fascinaria, daí ter protelado até agora a sua leitura.

Brilhante trabalho de pesquisa histórica que até consegue alapar-lhe uma (inconsciente) desinteressada por tais temáticas. Eu, entenda-se.

O final é surpreendente e trágico. Demasiado trágico até. Senti-me como se tivessem tirado o tapete que me sustentava, tendo vindo por ai abaixo, e só parando quando voltei a ter discernimento para perceber que aquilo era contudo ficção, e ficção alheia. Aspecto deveras importante este. É que cada um de nós também tem as suas próprias ficções (a que muitas vezes gostamos de chamar sonhos) e o mergulho é por vezes tão profundo que custa vir à tona da crua e nua realidade.

Equador é isto. Uma sustentada construção e repentina desconstrução de sonhos que nos relembra que a ficção se baseia afinal na realidade.
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2 comentários:

Paula disse...

bem... mais vale tarde do que nunca!
E afinal a temática é bem mais abrangente do que quem não leu o livro poderá imaginar. Eu diria mesmo que é universal. Independentemente do enquadramento histórico natureza humana é natureza humana, sempre complexa, por vezes retorcida, e capaz de nos surpreender pelas melhores e pelas piores razões.

Dream on disse...

És o comentador nº 1 em 1 ano ou mais. Por isso, parabéns, ganhaste... a minha admiração! :)

Ainda não li mais nada do MST, embora tenha cá em casa mais um ou dois, mas fiquei muito curiosa em lê-lo de novo. Ou o homem teve um rasgo de inspiração ou é um génio literário. Acho que se aplicam ambos.