sábado, 3 de março de 2012

Escrito nas estrelas

Muitos aspiram ser artistas. No entanto, só alguns conseguem sê-lo. Ser artista implica invadir almas e fazê-las transportar-se a um plano que não é terreno, mas sim estrelar.

Ver e ouvir Carminho em palco é o paradigma desta assunção. Alma é muito mais do que o nome de uma obra musical. Alma é possivelmente a mais certeira das palavras que definem a artista. O auditório Olga Cadaval rendeu-se inteiramente ao talento, musicalidade, inspiração e naturalidade que de Carminho transbordam. Aconteceu um crescendo notório de envolvência e cumplicidades impossível de esquecer. Carminho canta para si própria mas chega a nós como ninguém. E haverá maior lisonja para um público do que sentir que alguém plenamente seguro de si e altamente perfeccionista, lhe quer agradar tanto como a si próprio?

Por mais palavras com que se tente descrever a experiência de ver e ouvir Carminho em palco, ficará sempre a sensação de que tudo ficou por dizer e contar. Há toda uma garra fadista entranhada que nos faz reviver o fado bairrista e gingão de antigamente mas em simultâneo inundam-nos uma doçura e tranquilidade indescritíveis. Talvez seja por isto mesmo, o facto de indiciar uma certa contradição, que nos faz ficar completamente fixados e dependentes e que querer que não mais termine.

"És grande, Carminho!" fez alguém impor a sua voz do meio do público a certa altura. A humildade e carinho com que a artista recebe o elogio são comoventes. Mas é toda uma comoção que lhe sai da alma claramente sem a mínima pretensão de o mostrar e isso comove-nos.

Que bom que Carminho encontrou o seu caminho. Que bom que nós a encontrámos também!

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