terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

De coração transbordante

Costuma dizer-se que o melhor do mundo são as crianças e há que concordar com esta máxima. Não tanto pela graça natural que têm mas principalmente pela personalidade genuina e pureza que encerram.

Os prazeres mais recentes da minha existência? Deixar o meu afilhado de 20 meses despentear-me e pentear-me (bem... não era bem pentear, era mais despentear o já despenteado) durante minutos a fio, de caras quase coladas e olhares fixos e risos e muitas carantonhas de parte a parte.

Ouvir o meu afilhado dizer "mad(r)inha" vezes sem conta (nota-se uma evolução digna de nota, já que há uns mesinhos era "nhinhanhinha", expressão, de resto, igualmente saborosa aos meus ouvidos de madrinha babada) e rir e correr e esconder-se e fazer trejeitos sedutores na minha direcção.

O melhor de tudo, ter conseguido sossegar esta criança super-hiper-mega -enérgica no meu colo para cima de 40 minutos, durante os quais ambos descobríamos as maravilhas de um livro cheio de cores, formas e palavras. "Abe", dizia ele impacientemente quando surgia uma página com um desenho ocultado. "É azul?" "É amarelo?" espicaçava eu para o tentar fazer proferir a palavra "verde", algo em que não consegui ser bem sucedida.

Só uma coisa teve a força para interromper este momento. Uma bandeja com um copo de chá e um naco de pão, que o fez largar sofá, livro e madrinha e saltitar em direcção a ela gritando "cháginhuuuuu" de forma entusiamada (e sequiosa). Pois... que criança que se preza tem prioridades na vida e faz questão de as deixar bem patentes sem necessidade de explicações pelo meio!
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