segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Probabilidade = 0

A propósito da Gripe A, transmitiu hoje a SIC o programa Grande Reportagem com os bastidores do apoio e diagnósico da doença à população portuguesa (entenda-se "Saúde 24" e centros de saúde/hospitais).

A lamentável situação ocorre num gabinete de consulta médica de um centro de saúde da grande Lisboa, com uma doente a envergar máscara, sentada numa marquesa e rodeada de duas ou três profissionais de saúde (julgo, enfermeiras). Nos hospitais tugas trata-se logo de pôr os doentes à vontade tratando-os por "tu". Juro que se me fizessem o mesmo, devolvia na mesma moeda (mas isto sou eu que tenho um mau feitio daqueles...) para ver se gostavam da receita.

Diz-se duas ou três vezes à doente que tem de ser encaminhada para um serviço especializado e que lá vão fazer-lhe uma zaragatoa. O nome da intervenção já é suficientemente assustador proferido uma única vez, imagine-se repetido duas ou três... A doente, com ar visivelmente combalido e expressão desconfiada (para não dizer "aterrorizada") tem a coragem de perguntar: O que é uma zaragatoa? A enfermeira, com tranquilidade, tem ainda mais coragem de lhe responder que é uma análise que lhe vão fazer, que não é dolorosa, para analisar o exsudado. De facto, a expressão idiomática Um male nunca vem só, cumpre os seus desígnios de vez em quando.

Pergunto eu: Qual a probabilidade de uma pessoa que não sabe o que significa a palavra zaragatoa saber o que significa exsudado? A resposta está no título.

Conselho de profissional de saúde a quem for alvo da mesma questão por parte de um leigo: É um exame que consiste em retirar um bocadinho das secreções acumuladas na garganta com uma espécie de um cotonete.

Tenho dito.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Será que estou mesmo "pesada"?

Há uns dias soube que a minha ex-chefe do meu anterior emprego comentou com outra colega que eu me tornei pesada. Pesada no sentido de só falar de trabalho. Terá ornamentado a afirmação com: ela era uma rapariga tão bem disposta, falava das férias e das viagens... e agora só fala de trabalho!

Apesar de este comentário não me preocupar nem me chocar (ainda por cima vindo de quem vem...), dei por mim a matutar no tema e a tentar perceber se haverá aqui um pingo de verdade. De facto, o trabalho actual absorve bem mais o meu pensamento e tempo (na realidade, mais tempo, logo mais tempo a pensar) e acho que falo mais de trabalho num âmbito extra-laboral do que antigamente. No entanto, acho que não massacro ninguém (se calhar só um bocadinho, vá... que se acusem se assim acharem) e continuo a falar de lazer como noutros tempos.

Acho que a impressão causada até pode ser real, mas o facto de abordar quase exclusivamente o tema do trabalho apenas se deve a não ter muito mais do que falar com aquela pessoa. Aquilo que fez com que os nossos caminhos se cruzassem foi o trabalho e acho que se vivermos mais 50 anos, sempre que a encontrar será inevitável pensar em trabalho.

Além do mais, há certas pessoas com quem não devemos abordar assunto importantes da nossa vida pessoal (aliás, mesmo os menos importantes devem ser abordados superficialmente), sob pena de a especulação sobre a nossa vida a tornar numa novela hiper-mega-dramática na qual já nem nos reconhecemos como personagem principal.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Melgas auditivas

Sou atreita a melgas. Daquelas que picam levando consigo uma porção jeitosa do nosso vermelhinho fluido corporal. Já que destas não me safo, poderia pelo menos estar protegida contra as outras. Mas não.

As melgas auditivas não são mais do que aqueles senhores e senhoras de voz muito bem colocada que repetem o nosso nome de forma exaustiva numa chamada telefónica que desencadeiam para nos apresentar um serviço ou um produto, ou, ou... Facto extremamente irritante: O número de telefone é anónimo, o que faz com que não possamos gravá-lo na nossa agenda de contactos com um nome sugestivo como "Too annoying" ou "Be afraid" para torná-lo imediatamente reconhecível e não atendível.

Eu adoptei a técnica de educadamente pousar o telefone num local suficientemente distante do meu ouvido mas ao alcance da mão, para apenas poder ir verificando de quando em quando se a chamada já foi terminada. Garanto que não há melhor medida. A comprová-lo, o facto de nestas ocasiões apenas ter tido necessidade de fazer a tal verificação uma vez. Recomendo!
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