segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

(Des)inserção social

Durante 10 anos, por via do local de trabalho e especificamente, da chefia, tive de ouvir relatos constantes do barco que subia e descia como se não houvesse amanhã e cujas subidas e descidas sempre condicionavam os meus períodos de férias. Mas era um caso praticamente isolado, tanto que a dita pessoa e o dito barco eram frequentemente alvos de chacota. Não tanto pelas suas existências, mas pelo facto de à mínima oportunidade, entrarem pela vida a dentro de toda a gente, ou se não pela vida, pelo menos pelos desapacientados ouvidos a dentro.

Acaba aquele reinado e, eis senão que, a cada pontapé, me deparo com mais armadores (ou armados...). Um que ainda não tem barco mas que, finalmente, parece que vai comprar em parceria com outros amiguinhos que tais. Outro que já tem, mas que faz referência à vida antes de ter. Em todos os relatos há sempre a componente da subida e da descida, em que habitualmente um cônjuge (para agilização do processo ou simplesmente por falta de pachorra, ainda que não totalmente assumida) faz a subida ou a descida por terra... quiça acenando amiúde ao amado marinheiro.

Ora, eu, ainda que nada tenha contra quem tem barco (nem que seja pneumático, como bem ripostou uma vez um colega que se sentia tão invadido quanto eu com estes relatos despropositados), também não pedi a ninguém para ficar, subitamente, rodeada por esta gente. Ou pedi? Não me parece...

Cansa-me... Eu sou mais do género de ficar a ver os barcos passarem ao longe. Entendidos?

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