segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Portugal dos Coitadinhos

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Foto em http://olhares.aeiou.pt/

Não sei se será mais triste ser-se coitadinho ou ser-se pequenino. Julgo até que, no sentido que aqui lhe quero dar, acaba por ir dar ao mesmo.

Eu sei que existe analfabetismo em Portugal. Eu sei que existe pobreza por aí perdida (mais até do que possamos imaginar). Também sei que existe alienação, em muito causada pelas razões anteriores. Mas será que é preciso explorarem-na a todo o momento? É apanágio dos nossos serviços noticiosos andarem por aí à cata de terreolas que ninguém sonha existir, com habitantes de olhar disperso e vazio, que nem sabem o que é viver. Que se façam reportagens dignas esporádicas sobre esta temática, eu ainda acho normal e até aplaudo. Não consigo, no entanto, aplaudir que isto sirva de notícia quase diária para lembrar o quão iletrados (ainda) somos.

Na dita reportagem de hoje do Jornal da Sic não faltaram idosos completamente dependentes de terceiros para tarefas tão simples quanto fazer uma chamada telefónica ou ir à mercearia da esquina (a única, portanto). Não faltou também aos espectadores a hipótese de ver as suas dentaduras (ou o que ainda resta delas...) mal tratadas e já quase inexistentes. Eu diria até que a reportagem de hoje e outras afins darão o mote para uma próxima reportagem sobre outro assunto tão abordado nos dias que correm. A saúde oral dos portugueses.

Mas pergunto eu. Será que a nossa saúde oral está assim tão aquém da dos restantes povos? Fica a dúvida no ar. Mas lá que rende bonitas reportagens com os estomatologistas e higienistas orais da moda, lá isso rende.

Salvou-se o facto de os idosos da tal terreola não serem obesos. Outro problema tão em voga a que nós, portuguesinhos baços e ocos, não damos a devida atenção. Ah! Mas é verdade! Essa reportagem passou ontem, por isso será ainda um pouco cedo para nos darem mais uma ensaboadela. Mas dêem-lhes tempo. Eu acredito nas suas capacidades de repetição até à exaustão.

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