segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um plano intermédio

Estar e querer ir. Ir e querer ficar. Se ao menos houvesse uma solução de compromisso entre os dois estados. Uma espécie de in-between que durasse o tempo que a gente quisesse. Mas não. Seja com lugares ou estados de alma, tem de se tomar um rumo. E se o rumo nos é imposto, ainda que não saibamos se o tomaríamos se não o fosse, é doloroso. Disseram-me certo dia que a sorte não existe . Ou, refraseando e complementando, existe mas não será mais do que o cruzamento entre a oportunidade e a preparação. Se bem que do ponto de vista teórico possa realmente definir-se desta forma, todos sabemos que há muito mais variáveis para determiná-la ou materializá-la. Quanto mais não seja essa figura volátil a que chamamos destino. A força que dita a queda do objecto para um dos lados da barreira e não para o outro, é uma força maior. Ou menor, mas ainda assim não planeada. Seja como for, culpar o destino pelo rumo que tomamos é muito apetecível. Despoja-nos de quaisquer culpas do que daí possa advir. No entanto, não nos dá a tranquilidade e o sossego para prosseguir viagem sem mais pensar naquele ponto do tempo e do espaço em que tudo, perante um simples estalar de dedos, podia mudar. Bem vistas as coisas, será que só navegar é preciso?

1 comentário:

muguele disse...

Pois, é que o navegar depende sempre pelo menos do barco em que se navega. Cada vez mais me convenço de que viver é que é preciso.