segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Incoerências laborais

Bem sei que é do que mais há actualmente. Se calhar, sempre houve. No entanto, julgo que a densidade das mesmas tem vindo a aumentar substancialmente. É normal se pensarmos em termos da crescente especialização das pessoas, da competição (inter- e intra-empresarial e do número que constituimos.

Quando me falam em promoção com aumento de trabalho mas sem aumento salarial, considero-o uma afronta. E quando me dizem que o colega do lado terá a mesma promoção também sem mais dinheiro mas também sem mais trabalho, só porque precisa de ser motivado, então aí dá-me vontade de trepar às paredes ou perder totalmente a compostura. Mas não. Consigo ter o sangue-frio necessário para explicar que nestas circunstâncias, a motivação de um é a desmotivação de outro. E ainda arranjo paciência para deixar claríssimo que sem aumento simultâneo à tomada de funções não há pão p'ra malucos. Que é como quem diz, não há tomada de funções.

São princípios tão básicos, que é assustador que passe nalgumas cabeças pensantes fazer propostas deste tipo. E como as funções que actualmente já tenho me tomam mais do que as 8 horas teóricas de expediente, a proposta torna-se ainda mais gritante. Como dizia alguém que conheço, posso sempre trabalhar nas novas funções das 3 às 7 da madrugada. E se eu propusesse isto, na volta ainda achavam que eu não estava a brincar. É que hoje nas empresas, o que interessa mesmo é dizer que se trabalha muito mais horas do que as devidas e sobretudo fora do horário de expediente. Fora a mediocridade dos que cumprem escrupulosamente o horário de trabalho e produzem arduamente neste tempo. Fora de moda!!!

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