quarta-feira, 11 de junho de 2008

Doutores e Engenheiros

Gente (menor) sem "canudo". Gente com pedigree. Gente (horrorosa!) sem pedigree.

Basicamente, é nestas f(r)acções que temos o nosso Portugal dividido. Por mais que tentemos esquecer-nos que assim é, logo embatemos contra alguém ao virar da esquina (ou no gabinete ao lado) que nos obriga a não esquecer tal estratificação.

Para mim, a forma de tratar e ser tratada pelas pessoas que me rodeiam, com maior ou menor formalidade, sempre dependeu do grau de confiança, abertura e intimidade. Felizmente, nunca dependeu de títulos académicos ou de quaisquer outros cunhos. Há coisas que me irritam verdadeiramente (um dia colocarei um post sobre aquilo que me irrita e aquilo que venero, mas antes tenho de ir compilando os dados porque a lista é tão extensa que não pode ser debitada de uma só vez, caso contrário poderão faltar items imprescindíveis) e uma delas é a capacidade que determinadas pessoas têm em moldar a forma como tratam os outros de acordo com os graus e a (suposta) importância.

Tenho um exemplo pessoal cabal disto mesmo. Aconteceu comigo em tempos de estágio curricular de licenciatura. Quando iniciei o estágio, tratava a minha orientadora por Dra. (uma pessoa com mais 7 ou 8 anos do que eu e com a mesma formação que eu teria daí a 4 meses) por uma questão de deferência. Fui autorizada a passar a um tratamento sem o Dra. (mas salvaguardando o você) umas semanas mais tarde e só no último dia de estágio me foi gentilmente comunicado que poderíamos passar ao tratamento por tu. Inenarrável.

Agora, volvidos mais de 10 anos sobre esta curiosa experiência de vida, deparo-me com um chefe que faz exactamente a mesma destrinça. Estagiários e pessoal sem "canudo", é favor de se dirigirem à excelência com o Dr. atrás do nome. Por seu turno, doutores e afins, há que apressar logo o tratamento por tu, quanto mais não seja, para agilizar processos. E depois, há também que apregoar aos sete ventos que tratamos as pessoas importantes por tu, sendo que ainda não percebi muito bem se isto é para enaltecimento próprio ou para (tentativa) de menosprezo alheio. Vai na volta e é para ambos!

A palavra que melhor encontro para definir o que sinto em relação a este tipo de comportamentos é... nojo! É forte, eu sei, mas é a verdade.

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