sexta-feira, 27 de junho de 2008

Os contrastes da vida

Num mesmo dia - hoje - cinco péssimas notícias e uma notícia fantástica. Não há como ficar indiferente às emoções alheias, que acabam por gerar em mim (apesar de espectadora neste cenário) emoções similares às das pessoas atingidas. Ontem houve festa e logo a seguir aconteceu a derrocada. Talvez a festa pudesse ter sido evitada (antecipada, adiada, cancelada, sei lá...), uma vez que era certo e sabido que quase no minuto seguinte a queda iria acontecer. Não consigo decidir se fico irada com quem manteve a festa ou se acabo por prezar e valorizar a sua atitude, pelo facto de possibilitar a todos um momento de convívio ainda com as incertezas a pairarem dentro das cabeças, assim em jeito de último suspiro. A excelente notícia não serviu para contrabalançar as outras. E não é só por uma questão numérica. Esta última faz valer aquela máxima de que um dia, mais cedo ou mais tarde, acaba por se fazer justiça. É reconfortante quando percebemos que afinal o mundo ainda não está assim tão perdido. Mas é um pouco decepcionante quando percebemos também que a justiça foi reposta porque os manda-chuvas já não são quem eram.

Apesar de tudo isto e de um pesar imenso que não consigo evitar sentir, o meu rosto ilumina-se a cada momento com um sorriso. Um sorriso de esperança por acreditar que é possível encontrar uma oportunidade no meio do caos, mas sobretudo por algo que nada tem a ver com os seis acontecimentos anteriores. Talvez seja a lei das compensações a funcionar... desta vez. E de vez!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Energía de Colombia

Uma forma justa e acertada de definir Juanes é considerá-lo como um fortíssimo recurso energético colombiano.


Aconteceu ontem no Pavilhão Atlântico o primeiro espectáculo de Juanes em Portugal e, não sendo eu uma fã acérrima do músico (essencialmente porque não sou muito dada a ondas latino-americanas), saí de lá rendida à entrega e à energia contagiantes. Digamos que vale-lhe (e a nós!) o facto de as músicas não serem longas porque entre o último acorde de uma música e o primeiro da seguinte não decorrem mais de 3 segundos. E se considerarmos que este ritmo é sustentado durante um período superior a 1 hora, temos de reconhecer que há ali uma resistência e vontade ímpares.

O Juanes, animal de palco, para além das características já apontadas é alguém com uma enorme afabilidade. Intercalado com momentos de verdadeira compenetração com a sua guitarra, consegue fixar elementos do público olhos nos olhos durante largos segundos e transportar visados e não visados para a sua dimensão, cheia de arte, musicalidade e engenho. Talvez o facto de ser natural de um pueblo - como, de resto, gosta de frisar de forma orgulhosa - lhe tenha conferido este jeito e proximidade com o público. A retribuição do público (em quantidade modesta mas de qualidade suprema) foi notória desde o primeiro momento, correspondendo não só às solicitações de participação vocal, como também aclamando o seu nome e aplaudindo vigorosamente e de forma aturada durante todo o espectáculo.

Musicalmente irrepreensível, quer a nível vocal quer instrumental, esteve muitíssimo bem acessorado em palco pela banda multi-países que o acompanha.

Nota 20, diria eu e... andere!!! Andere!!!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Doutores e Engenheiros

Gente (menor) sem "canudo". Gente com pedigree. Gente (horrorosa!) sem pedigree.

Basicamente, é nestas f(r)acções que temos o nosso Portugal dividido. Por mais que tentemos esquecer-nos que assim é, logo embatemos contra alguém ao virar da esquina (ou no gabinete ao lado) que nos obriga a não esquecer tal estratificação.

Para mim, a forma de tratar e ser tratada pelas pessoas que me rodeiam, com maior ou menor formalidade, sempre dependeu do grau de confiança, abertura e intimidade. Felizmente, nunca dependeu de títulos académicos ou de quaisquer outros cunhos. Há coisas que me irritam verdadeiramente (um dia colocarei um post sobre aquilo que me irrita e aquilo que venero, mas antes tenho de ir compilando os dados porque a lista é tão extensa que não pode ser debitada de uma só vez, caso contrário poderão faltar items imprescindíveis) e uma delas é a capacidade que determinadas pessoas têm em moldar a forma como tratam os outros de acordo com os graus e a (suposta) importância.

Tenho um exemplo pessoal cabal disto mesmo. Aconteceu comigo em tempos de estágio curricular de licenciatura. Quando iniciei o estágio, tratava a minha orientadora por Dra. (uma pessoa com mais 7 ou 8 anos do que eu e com a mesma formação que eu teria daí a 4 meses) por uma questão de deferência. Fui autorizada a passar a um tratamento sem o Dra. (mas salvaguardando o você) umas semanas mais tarde e só no último dia de estágio me foi gentilmente comunicado que poderíamos passar ao tratamento por tu. Inenarrável.

Agora, volvidos mais de 10 anos sobre esta curiosa experiência de vida, deparo-me com um chefe que faz exactamente a mesma destrinça. Estagiários e pessoal sem "canudo", é favor de se dirigirem à excelência com o Dr. atrás do nome. Por seu turno, doutores e afins, há que apressar logo o tratamento por tu, quanto mais não seja, para agilizar processos. E depois, há também que apregoar aos sete ventos que tratamos as pessoas importantes por tu, sendo que ainda não percebi muito bem se isto é para enaltecimento próprio ou para (tentativa) de menosprezo alheio. Vai na volta e é para ambos!

A palavra que melhor encontro para definir o que sinto em relação a este tipo de comportamentos é... nojo! É forte, eu sei, mas é a verdade.

O meu coração tem cor

De facto, tem. Impossível ficar indiferente e deixar ao passar ao lado os momentos de glória mas também os de tristeza desta nação. Diziam-me no Sábado aquando do jogo Portugal - Turquia: Credo! Pareces um homem, assim com tanta atenção ao futebol.

É verdade que estava com bastante atenção, aliás, como sempre tenho estado desde que me lembro. Para além da atenção, é o sofrimento, o roer de unhas e as palpitações sempre que acontecem lances perigosos. E também quando o rendimento não é o esperado.


Obrigada à Selecção por, julgo que pela primeira vez em muitos campeonatos, poder respirar de alívio (e deixar o povinho respirar de alívio também) logo à primeira oportunidade. Até a nós, que somos os mestres do desenrascanço e gostamos de sofrimento até à última gota, sabe bem de vez em quando deixar o coração ocupar todo o espaço que lhe cabe dentro do peito.

Acredito nesta equipa pela consistência que demonstra e pelos brilhantismos individuais. Falta-nos alguma coisa para a desforra de 2004? Acho que não. Agora é bola p'ra frente!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

New Week's Thought

And you sang Sail to me, sail to me; Let me enfold you.

domingo, 8 de junho de 2008

Finalmente o sol

O sol, o calor e a vontade de estar lá fora, parece que vieram para ficar. Hoje fiz algo que nunca tinha feito desde que moro na linha do Estoril, ou seja, ir ao paredão pela manhã. É uma vergonha, bem sei, mas a questão é que as manhãs domingueiras são tão boas para ficar a curtir a cama mais um bocadinho. Além do mais, os almoços habitualmente semanais, nessa potência mundial que é a margem sul, não deixam grande flexibilidadade para os passeios matinais. Quer dizer, um passeio matinal até daria para conjugar com o almoço, só que em detrimento dos tais momentos de inércia em posição horizontal que sabem tão bem e dão tanta saúde!

A praia de Carcavelos foi como que assaltada pelas multidões ávidas do mesmo. Senti-me quase como se tivesse estado fora de Portugal durante uma longa temporada, já que aquele cenário de areal coberto de gente há muito tempo tinha desaparecido do meu horizonte. Dizem por aí que este Verão vai ser o mais quente de há 25 anos a esta parte. Digo eu que não há necessidade de ser o mais quente. Basta que seja um Verão na verdadeira acepção da palavra, quer em qualidade, quer em duração. E já agora, se possível, sem aquela ventania descontrolada do ano anterior.

Encontrei uma colega de trabalho nesta minha deambulação. Já das duas últimas vezes que tinha estado no paredão em finais de tarde, encontrei outra colega de trabalho e outra de ginásio. Ainda que a sensação de ver gente conhecida, que faz questão de nos cumprimentar e esboça um sorriso, seja reconfortante, momentos há em que me apecia ser só eu, o céu azul, o mar e a multidão desconhecida. As caras conhecidas trazem-nos de volta ao nosso quotidiano e quando fugimos para a beira mar, pretendemos exactamente fugir do ramerrão do dia-a-dia. Talvez mudando de zona geográfica de passeio o consiga. Mas, ainda assim, não é garantido (afirmação de experiência feita)!

O meu mobiliário de varanda saiu ontem à rua e está desejoso de me receber. Hoje já me sinto quentinha. Por dentro e por fora. Mas acho que vou ali esquentar mais um bocadito.

domingo, 1 de junho de 2008

New Week's Thought - Let time flow

Let it flow, let it flow, let it flow...