quinta-feira, 22 de maio de 2008

Príncipe Encantado a.k.a. O homem da nossa vida

Dizia-me uma colega minha há uns dias que tinha de confessar que quando lhe perguntam se já encontrou o homem da sua vida, ela tem de responder, que não, que ainda não encontrou. Considerando que se trata de uma mulher divorciada e com uma filha do ex-marido, confesso eu que acho triste a revelação. Se o ex-marido não foi em certo momento o homem da vida dela, então o porquê do casamento? O porquê de um filho planeado? Em conversa com outra colega sobre esta minha observação, dizia-me a mesma que compreende aquele ponto de vista porque o ex-marido a desiludiu e, assim sendo, não pode considerá-la mais como o homem da sua vida mesmo que um dia o tivesse considerado como tal. Rebati eu com o argumento de que então se o homem da nossa vida tem de o ser para toda a vida, nunca podemos considerar a pessoa do momento como o sendo porque o futuro é sempre incerto. Logo ouvi que isto já era uma discussão a roçar o filosófico. É capaz de ser verdade mas para mim continua a fazer todo o sentido e aquele contra-argumento não me convenceu. A questão aqui prende-se com os conceitos e com os lugares-comuns tão entranhados na nossa vida e que usamos sem pensar. A necessidade mórbida que temos de catalogar as coisas, os actos e as pessoas, deixa-nos muitas vezes a braços com este tipo de incongruências. Sim, há um pouco de filosofia em sentir sem ter de classificar. O mais importante da vida não é o que dizemos sem sentir mas aquilo que sentimos sem dizer.

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