quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pessoas desiludidas e que desiludem

De certeza que qualquer um de nós já se viu nos dois papéis do título. Desiludir e ser desiludido faz parte do nosso quotidiano e contribui para o processo de amadurecimento enquanto seres viventes. Há aqueles para os quais a baseline é a desilusão perante os outros. Ou seja, face a alguém que conhecem, tudo o que vier é encarado como ganho porque pela sua própria natureza ou por já se terem desiludido tanto com uns e outros, não conseguem esperar algo de bom. Eu ainda vou pertecendo ao grupo dos que acreditam que os outros, até prova em contrário, só nos podem surpreender positivamente. Confesso que já não estou tão firme nesta minha postura como há uns anos atrás porque a vida me mostrou que é melhor não esperarmos demasiado dos outros, sob pena de nos desiludirmos grandemente se o fizermos.

Há pessoas cujo valor é inegável e mesmo reconhecendo-lhes uma personalidade vincada e algo conturbada, confiamos que o bom senso e a maturidade prevalecerão, tornando desprezíveis os aspectos menos abonatórios. Até porque tratando-se de pessoas diferenciadas e com uma (selectiva) abertura de espírito, acreditamos até ao fim que assim é. Até ao fim... ao fim de quê? O que determina este ponto de corte? O desejável seria que o fim acontecesse apenas quando os nossos caminhos deixassem de se cruzar por desígnios superiores. Mas o que acontece, de facto, é que o fim é muitas vezes (e daí que as relações não sejam eternas) determinado e forçado por uma das partes ou por ambas até.

Já tive vários fins. Conseguem sempre entristecer-me e deixar-me a reflectir sobre eles e sobre os visados. Mas ao mesmo tempo, sei que quando determino um fim, é porque não poderá mais haver um princípio com aquela pessoa. Não se trata de rancor nem de qualquer sentimento parecido. Trata-se simplesmente de deixar de sentir vontade de (me) dar. E aí não vale a pena tentar contrariar o sentimento porque o fim foi sentido de forma tão espontânea quanto profunda, não havendo mesmo forma de o reverter. Passado o período de tristeza e reflexão, é passado. Foi passado.

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