sexta-feira, 4 de abril de 2008

Com hormonas pelo meio, não é traição?

Vinha eu no carro ao final da tarde de hoje a ouvir a Antena 3, nomeadamente uma rubrica cujo nome já ouvi mas do qual já não me recordo (a uma sexta-feira à tarde não me peçam para me recordar de grande coisa, porque temo poder não corresponder...) em que participa a Ana Bola. Ao que parece, o tema central era a traição. Apanhei a conversa ali numa fase em que se tentava definir o termo, sendo que das cabeças pensantes intervenientes, cada qual tinha a sua opinião (como convém, de resto, para um programa desta natureza). Ainda assim, pareceu-me que a opinião mais diferente era a da Ana Bola, que defendia que se um parceiro trair o outro (e aqui, entenda-se "trair" como aquilo que pelo menos 99 % de nós entende por traição), isto não é traição, a não ser que tenha sido feito um juramento de que se não trairia o outro. Mais, se um amigo mentir a outro, isso é traição. Se um parceiro omitir a outro algo que para nós, os tais 99 %, podia ter impacto na vida sentimental, isso não é traição. E porquê? A diferença está nas hormonas. Se houver hormonas à mistura, tudo se desculpa. Quase apetece dizer que se trairmos um amigo, estamos safos de ser apelidados de traidores se no entretanto conseguirmos fazer um apelo hormonal recíproco bem sucedido. Nunca tal me tinha ocorrido, mas é capaz de ser uma boa saída. Vou ver se ponho em prática na primeira oportunidade. Ou não. É que, de facto, o meu conceito de traição é bem diferente do da Ana Bola e bem mais do senso-comum. Há princípios básicos que conhecemos e seguimos sem que tenhamos de os proferir em bom som para que sintamos que temos de os aplicar. A força dos sentimentos e das convicções de vida superam qualquer palavra vã. O conceito de traição ou de qualquer outra coisa está na nossa consciência e na formação de base que temos. As minhas dizem-me que trair é trair independentemente da pessoa atingida. Até porque, idealmente (mas eu sou, definitivamente, uma sonhadora), o meu parceiro deverá ser, nada mais, nada menos, do que o meu melhor amigo.

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