segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

(Des)inserção social

Durante 10 anos, por via do local de trabalho e especificamente, da chefia, tive de ouvir relatos constantes do barco que subia e descia como se não houvesse amanhã e cujas subidas e descidas sempre condicionavam os meus períodos de férias. Mas era um caso praticamente isolado, tanto que a dita pessoa e o dito barco eram frequentemente alvos de chacota. Não tanto pelas suas existências, mas pelo facto de à mínima oportunidade, entrarem pela vida a dentro de toda a gente, ou se não pela vida, pelo menos pelos desapacientados ouvidos a dentro.

Acaba aquele reinado e, eis senão que, a cada pontapé, me deparo com mais armadores (ou armados...). Um que ainda não tem barco mas que, finalmente, parece que vai comprar em parceria com outros amiguinhos que tais. Outro que já tem, mas que faz referência à vida antes de ter. Em todos os relatos há sempre a componente da subida e da descida, em que habitualmente um cônjuge (para agilização do processo ou simplesmente por falta de pachorra, ainda que não totalmente assumida) faz a subida ou a descida por terra... quiça acenando amiúde ao amado marinheiro.

Ora, eu, ainda que nada tenha contra quem tem barco (nem que seja pneumático, como bem ripostou uma vez um colega que se sentia tão invadido quanto eu com estes relatos despropositados), também não pedi a ninguém para ficar, subitamente, rodeada por esta gente. Ou pedi? Não me parece...

Cansa-me... Eu sou mais do género de ficar a ver os barcos passarem ao longe. Entendidos?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Enésima razão

Quando tomamos o primeiro contacto visual com o nosso gravador de DVD, após tê-lo programado para uma gravação, e ele exibe no visor um insolente "timer" em vez da hora da praxe, o que é que isso pode significar?

Para qualquer pessoa com o mínimo de sorte nesta andanças das gravações, significaria apenas um temporário amok do equipamento ocorrido muito, mas muito, tempo depois do período de gravação.

Para mim, ser comprovadamente azarado em tudo o que a gravações programadas diz respeito, só poderia significar amok total e absoluto durante a gravação, pois então... Das 2 horas planeadas, saiu 1/4 do tempo e uma dose bem servida de irritação.

Baaaaaaahhhhhh!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Improváveis

Rui Reininho a cantar Doce é algo que até há uns tempos não me passaria pela cabeça. O senhor gravou o seu primeiro álbum a solo, intitulado Companhia das Índias, que estará à venda a partir de dia 2 de Dezembro. Já roda aí pelas rádios de Portugal a versão que fez de Bem Bom das Doce.

Ouvide e vede esta actuação ao vivo que encontrei no YouTube, aqui em dueto com uma tal Silvia Machete, que eu não faço ideia de quem seja. Hilarious, I'd say!

Hi5, esse antro de pérolas literárias

Segue-se um excerto retirado de uns comentários de perfil por parte de 3 jovens amigas (suprimi os nomes verdadeiros e substitui-os por nomes fictícios), com que acabei de me deparar nesse fantástico espaço virtual. Pelo menos uma delas anda pelos 30, por isso nem se aplica aqui o princípio dos teenagers supostamente desmiolados da actualidade. Talvez se aplique a teoria da geração rasca então (à qual eu pertenço).

Desfrutem e digam lá se elas não se merecem...

Mafalda comentou o perfil de Ana
“Melhor momento da viagem de sabado?? Quando tu dormis-te!! :)...”


Inês comentou o perfil de Mafalda
“Claro qe dás :D Eu conduzo bem Mafalda xD Se visses a tua cara qando sais-te e me viste dentro...”


Agora pergunto eu... quanto mais não fosse, por analogia com o viste (correctamente escrito, não se sabe no entanto se por mero acidente de percurso), não dará para perceber que é o mesmo tempo verbal e, logo, tem de ser escrito de igual modo? Pois... Parece que não.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Então não é que...

... o David Fonseca vai fazer a abertura dos concertos dos Keane em Espanha?! Eh pá... para além de isto ser um facto altamente assinalável, agora sinto dupla pena por não ter ganho o passatempo da Antena 3. David Fonseca e Keane na mesma noite, no mesmo espaço, sem ter de fazer algo para além de abanar o capacete, é deveras tentador!

A Rita Redshoes vai abrir o concerto do Coliseu de Lisboa. Também fiquei contentinha e acho que é um excelente passo para ela.

Mas David & Keane é uma combinação estrondosamente tentadora...

Agora vou ali espernear um bocadinho.

domingo, 26 de outubro de 2008

New Week's Thought - 3 weeks to go

.



Faltam 3 semanas... e depois serei uma mulher nova! Não, não vou fazer uma plástica. Vou "apenas" mudar de emprego e, como diz o Mug: Pelo menos nos primeiros tempos andas feliz!

Se o trabalho é o local onde passamos a maior parte do tempo em estado acordado, é natural que isso nos faça sentir com novo fôlego e renovados... não?

Eu bem ameacei aqui e aqui.

.

Eu na Rádio!

Desta vez, é mesmo aquilo que parece!

A Antena 3 lançou um passatempo para se ganhar uma ida a Barcelona para ver os Keane no primeiro espectáculo da tournée. Consistia em traduzir a letra da canção "The lovers are losing" para a língua Lusitana, tendo em consideração a métrica da música. Quando tomei conhecimento, achei que isto era mesmo à minha medida e não consegui não corresponder. Isto tudo entre agitação mental laboral, uns problemitas oftalmológicos (felizmente já praticamente ultrapassdos) e a preparação da viagem a Paris. Foram dois serões intercalados com estas actividades, que produziram a minha tradução.

Na 5ª feira ao final da tarde, instalada num dos milhentos Starbucks de Paris, recebo uma chamada da Antena 3 a comunicar-me que era uma das finalistas e que iria ser decidido o vencedor na manhã seguinte em directo nas manhãs da 3. Deram-me uns calafrios e disse à Maria João Serra (simpatiquíssima, por sinal!) que nem a letra tinha comigo e se não conseguisse aceder ao e-mail, teria de desistir. Lá consegui ir a um posto de internet localizado bem perto do meu hotel (Ah, santo hotel, que tem (ou se situa perto de) tudo aquilo que um cidadão do mundo pode precisar!) e com algumas tropelias pelo meio, imprimi a minha tradução, ouvi a canção dos Keane no YouTube (já tinha passado quase 1 semana desde a última vez que a ouvira) e lá fui para o hotel com a certeza de que tinha de enfrentar aquele desafio.

Adorei estar à conversa em directo com os animadores da 3 e embora o coração me saltasse na garganta, acabou por ser super divertido e acho que a minha prestação até foi aceitável. Pareceu-me que ficaram todos admirados pelo cuidado com a métrica e com o facto de me manter sempre no tom da canção. A Cláudia Semedo ia mandando umas gargalhadinhas enquanto eu cantava, que depois vim a perceber que eram de satisfação (Uffff...).

Venceu o outro concorrente, que resolveu satirizar a letra e criou uma versão brejeira e bem ao jeito dos Toranja, com muita palavra encavalitada. De qualquer modo, a votação foi renhida. Perdi por 2 - 3 e tenho quase a certeza que obtive o voto das 2 meninas (seres sensíveis e bons :D). Disseram que teriam de me arranjar um prémio de consolação... vou ver se me fornecem a gravação da emissão, sob pena de ser cilindrada pelos meus fãs (gaba-te cesto!) por perderem tal momento fantástico.

sábado, 11 de outubro de 2008

O apelo das sensações

.

August Rush é uma verdadeira história de encantar dos dias modernos. Tudo o que se movimenta no plano do sensorial fascina-me e este filme deixou-me perfeitamente rendida. Ao longo do filme não consegui deixar de pensar várias vezes em O Perfume de Patrick Suskind porque ambos me transportaram para o mundo daquilo que não se vê mas que se sente e que acaba por ser muito mais intenso e preponderante do que aquilo que, simplesmente, se vê.

August Rush faz-nos querer continuar a acreditar que aquilo que procuramos paira por aí à espera de ser encontrado e que, inevitavelmente, acabaremos por encontrar. Todo o apelo gira em torno da música, fazendo com que o visionamento (não, não estou a tentar parecer um crítico de cinema mas o termo tem mesmo de ser este!) se assemelhe à escuta de uma melodiosa canção de embalar.

It made my day!

domingo, 5 de outubro de 2008

Eu na TV

O título não é o que parece, descansai. Tudo começou com um: faça favor de entrar, estão a vê-la e a ouvi-la.

É uma frase um tudo-nada aterradora para iniciar algo em que se quer que estejamos mais ou menos à vontade, não? Mais aterrador que a frase, só mesmo a constatação de que era mesmo eu na TV e só eu e a própria TV. Qua diacho... os sinais dos tempos modernos têm de ser assim tão abrangentes?

De qualquer modo, com a quantidade de germes que habitava em mim naquele dia, acho que nem o armagedão me teria abalado (mais).

domingo, 21 de setembro de 2008

Speechless

Por nenhuma razão em especial e ao fim e ao cabo, por todas. O cinzento do céu deixa-me mais vagueante cá por dentro. Apetece-me estar comigo e estar com os outros só às vezes.

Continuo a deslumbrar-me com aqueles que têm sempre tanto para dizer e escrever. Por mais que tentasse, acho que nunca conseguiria acompanhar os acontecimentos do dia-a-dia de modo a ter assunto para actualizar o estaminé mais amiúde.

A Madonna foi benzinho. Espectáculo para massas e tão descaracterizado que ficamos com a sensação de que se alguém no palco espirra fora do tempo, a super-mega produção pode ficar comprometida. Uma cambada de gente doida (75 mil), diria eu... e incluo-me, logicamente!

Agora só já quero pensar na Cidade da Luz.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Portugal dos Coitadinhos

.
Foto em http://olhares.aeiou.pt/

Não sei se será mais triste ser-se coitadinho ou ser-se pequenino. Julgo até que, no sentido que aqui lhe quero dar, acaba por ir dar ao mesmo.

Eu sei que existe analfabetismo em Portugal. Eu sei que existe pobreza por aí perdida (mais até do que possamos imaginar). Também sei que existe alienação, em muito causada pelas razões anteriores. Mas será que é preciso explorarem-na a todo o momento? É apanágio dos nossos serviços noticiosos andarem por aí à cata de terreolas que ninguém sonha existir, com habitantes de olhar disperso e vazio, que nem sabem o que é viver. Que se façam reportagens dignas esporádicas sobre esta temática, eu ainda acho normal e até aplaudo. Não consigo, no entanto, aplaudir que isto sirva de notícia quase diária para lembrar o quão iletrados (ainda) somos.

Na dita reportagem de hoje do Jornal da Sic não faltaram idosos completamente dependentes de terceiros para tarefas tão simples quanto fazer uma chamada telefónica ou ir à mercearia da esquina (a única, portanto). Não faltou também aos espectadores a hipótese de ver as suas dentaduras (ou o que ainda resta delas...) mal tratadas e já quase inexistentes. Eu diria até que a reportagem de hoje e outras afins darão o mote para uma próxima reportagem sobre outro assunto tão abordado nos dias que correm. A saúde oral dos portugueses.

Mas pergunto eu. Será que a nossa saúde oral está assim tão aquém da dos restantes povos? Fica a dúvida no ar. Mas lá que rende bonitas reportagens com os estomatologistas e higienistas orais da moda, lá isso rende.

Salvou-se o facto de os idosos da tal terreola não serem obesos. Outro problema tão em voga a que nós, portuguesinhos baços e ocos, não damos a devida atenção. Ah! Mas é verdade! Essa reportagem passou ontem, por isso será ainda um pouco cedo para nos darem mais uma ensaboadela. Mas dêem-lhes tempo. Eu acredito nas suas capacidades de repetição até à exaustão.

New Week's Thought - A Febre

Não a febre de Segunda-Feira à noite, mas sim a febre de quem, apesar de passar todo o tempo a queixar-se da vida louca do meio empresarial, ao fim e ao cabo, acaba por se sentir completamente envolvida e dedicada a essa causa. Um pouco louca, eu sei. Mas de facto, entre o ocasional marasmo que tende a inundar alguns dos dias de existência, um corropio bem esgalhado e desafiador acaba por fazer os dias valerem a pena. Pobres daqueles que podem sentar-se à sombra da bananeira e não produzir! Não sabem o que estão a perder!

Sticky & Sweet


Dia 14 de Setembro de 2008. Domingo. A modos que já estou em contagem decrescente para esse grande acontecimento que se avizinha. O acontecimento é, não o espectáculo da senhora per se, mas a minha presença no dito (isto há gente c'uma lata!). Esta última frase foi só para entrar a matar e captar a atenção dos mais desinteressados e desatentos.

Ver Madonna ao vivo e a cores é algo que todos deveríamos experimentar um dia (agora virão de lá os mais conservadores defender uma tese contrária... mas não será só para contrariar, não senhor!...). Afinal de contas, trata-se de um ícone da cena musical mundial, que cruzou uma viragem de século e se mantém tão ou mais enxuta do que nos tempos idos de Like a Virgin ou de Ray of Light.

Ver Madonna assim tão perto (ou não tão perto quanto isso dada a dimensão do recinto) tem de ser uma experiência inolvidável. E acredito que o será.

E é isto... há que aproveitar esta oportunidade de visionamento, escuta e partilha, antes que ambas nos desloquemos em cadeira de rodas. É uma excelente razão, não é? É caso para dizer bate-na-madeira e mais umas quantas máximas supersticiosas. Mas, por ora, fico-me por aqui.

sábado, 30 de agosto de 2008

Serei só eu?!

Passei agora os olhos e os ouvidos pelo Top + e surge-me o Ricardo Azevedo em videoclip. Constato que em simultâneo está a a dar na Sic Mulher um videoclip natalício do Josh Groban (ai o Josh Groban!...) . Entre os dois não há opção possível. Mas dado que o Josh estava um bocado desenquadrado da época e dado que tenho uma má vontade para com o Ricardo, optei por ficar ligada na RTP 1 para confirmar suspeitas, ou desmenti-las. Infelizmente, acabei por confimá-las.

Serei só eu que acho que o Ricardo Azevedo compõe umas musiquinhas da treta (com letras igualmente da treta), não tem melodia na voz, não tem sequer um timbre bonito e até consegue desafinar mesmo em gravações de estúdio? Não tenho nada contra o rapaz, mas o som dele incomoda-me imenso. Nem me recordo da última vez que alguém me provocou tanto incómodo. Deve estar muito bem apadrinhado porque é a única razão que me ocorre para alguém querer dar-lhe um lugar de destaque na música ligeira (ou pop ou sei lá...) portuguesa. Quando era vocalista dos EZ Special, a coisa ainda disfarçava, talvez por cantar em inglês. Ou então mudou de voz desde aí (mas ele nem está na adolescência, pois não?) e foi o fim.

Jeeeeezzzzzz!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Going nuts

.

Ainda não faço a pose ilustrada sentada em cima da secretária mas já o vou fazendo quando percorro os corredores, à vista de quem está ou passa. Dizem que estou sempre a refilar. Seja. Prefiro amolar quem me amola (embora de forma diferente) do que engolir e engolir e engolir. É que se assim fosse, um dia destes, as energias acumuladas podiam muito bem ser libertadas de outra forma. Assim, vou esvaziando a câmara de ar (e chatices) bem amiúde.

Si fóca nu processu e não ná pessoa, É uma oporrrtunidaji pra você, Faiss um isfôrçu, são algumas das frases que mais oiço na actualidade. Eu sei que o teor do meu discurso de resposta também não varia muito e que a outra parte deve estar tão farta de me ouvir quanto eu a ele. Mas pronto... tenhu dji dá o troco, né?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um plano intermédio

Estar e querer ir. Ir e querer ficar. Se ao menos houvesse uma solução de compromisso entre os dois estados. Uma espécie de in-between que durasse o tempo que a gente quisesse. Mas não. Seja com lugares ou estados de alma, tem de se tomar um rumo. E se o rumo nos é imposto, ainda que não saibamos se o tomaríamos se não o fosse, é doloroso. Disseram-me certo dia que a sorte não existe . Ou, refraseando e complementando, existe mas não será mais do que o cruzamento entre a oportunidade e a preparação. Se bem que do ponto de vista teórico possa realmente definir-se desta forma, todos sabemos que há muito mais variáveis para determiná-la ou materializá-la. Quanto mais não seja essa figura volátil a que chamamos destino. A força que dita a queda do objecto para um dos lados da barreira e não para o outro, é uma força maior. Ou menor, mas ainda assim não planeada. Seja como for, culpar o destino pelo rumo que tomamos é muito apetecível. Despoja-nos de quaisquer culpas do que daí possa advir. No entanto, não nos dá a tranquilidade e o sossego para prosseguir viagem sem mais pensar naquele ponto do tempo e do espaço em que tudo, perante um simples estalar de dedos, podia mudar. Bem vistas as coisas, será que só navegar é preciso?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

PARABÉNS!!!

Nelson Évora, Medalha de Ouro no Triplo Salto com 17,67 m.




quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos... o drama! O horror!

Pior que a onda de assaltos que assola Portugal em pleno mês de Verão, ou melhor em pleno mês de Agosto, que dantes até costumava ser Verão, é o folhetim melodramático que se desenrola com o passar dos dias em Beijing pelos atletas portugueses e seus cicerones. Um diz que de manhã gosta é de caminha e que treinar é mais para outra hora qualquer. Outro chora tipo menino-copinho-de-leite e diz que vai abandonar a modalidade porque não conseguiu um lugar no pódio. Um senhor do Comité, a respeito deste último, diz que ele não pode desistir porque após um 6º, um 5º e um 4º lugares, só tem de se considerar já medalhado na próxima edição dos jogos. A Naide falha de uma forma inacreditável e parece que até já há peritos a analisarem o sucedido. A Vanessa ganha uma medalha (a única para Portugal até agora) mas, pelos vistos, devido às declarações que fez sobre a aparente falta de empenho dos colegas da comitiva, ainda se arrisca a ser cilindrada quando voltar a pisar solo português. Dizem que o Obikwelu foi um senhor e demonstrou enorme amor a este país. Mesmo tendo desistido entre provas, numa altura em que dias antes se afirmava na sua melhor forma? A Telma tinha os árbitros feitos contra ela e por isso não conseguiu melhor. Os atletazinhos, coitados, no geral, ficaram desmotivados com tudo que leram na internet sobre eles.

Tudo espremido, o que se retira? Nada, diria eu. Ou melhor, talvez seja de lembrar que não é o facto de os atletas ficarem aquém das expectativas que lhes retira o lugar entre os melhores do mundo. Mas também não é de esquecer que as medalhas só se destinam aos 3 melhores dos melhores do mundo e a esse naipe nem todos conseguem pertencer. Além de que as medalhas conquistam-se in loco e não com os castelos de areia que levianamente se constroem por antecipação.

Ficar em 4º lugar ou à beira do apuramento não é uma infelicidade. Nem tão pouco tem de determinar o fim de uma carreira. Ficar em 4º é melhor do que ficar em 5º. Mas sem dúvida que é deveras pior do que o sonho de ficar nos 3 primeiros. Só que nem todos os que sonham com a vitória a obtêm. Em tudo na vida.

Acredito numa segunda medalha para Portugal amanhã. Força, Nelson!

domingo, 17 de agosto de 2008

New Week's Thought - I will survive!

As novas semanas têm sempre mais sabor e encaramo-las de forma mais corajosa quando saimos do final de semana com a sensação de dever cumprido (a.k.a. tempo não desperdiçado). É esta sensação que me toma neste momento, para além daquela de me doerem músculos nunca dantes experimentados. É bem verdade que são só umas dorzinhas (para alguma coisa há-de servir o ginásio t.i.d.) mas que ainda se podem intensificar durante a noite. Normalmente o day after é sempre pior um pouco.

No rescaldo de um fim-de-semana de suposta praia em que, efectivamente, só houve cerca de 3 horas matinais da mesma, uma vez que a semi-final de ténis masculino (Nadal - Djokovic) dos Jogos Olímpicos não permitiu a saída de casa a horas decentes e que no 2º dia de suposta praia choveu a cântaros, tendo eu apanhado uma molha frontal integral e secado a roupa no corpo durante o almoço, não se pode dizer que não esteja preparadíssima para enfrentar as eventuais agruras da semana que entra.

E como se não bastasse, hoje aconteceu a razão para as dorzitas do momento:
http://www.spe.pt/espeleologia/index.php/Accoes-de-Divulgacao/Grutas-da-Praia-da-Adraga-e-Pedra-d-Alvidrar-com-a-serra-de-Sintra-a-vista.html

Não há paciência para converter o link em algo mais apetecível à vista, até porque o próprio, é perfeitamente esclarecedor sobre o passeio de hoje. Um convite de um amigo para um passeiozito organizado pela Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE) transformou-se numa passagem em zonas apertadas e lamacentas da gruta costeira da praia da Adraga (com um esforço hercúleo para não enlamear a roupinha quase acabada de sair da gaveta e que ainda ia ter de fazer todo o dia) e em subidas e descidas a corta-mato para visitar as grutas de Olelas. Apesar de o desafio ter sido grande, já que andar por aí a trepar montes e vales com penhascos mesmo ao lado não é propriamente o meu passatempo preferido (nem por sombras!), foi extremamente gratificante ter trepado tudo com alguma desenvoltura (escorregadelas também...) e poder estar aqui agora a contar a aventura. Claro que para mim foi um feito mas para aquele pessoal foi simplesmente mato.

Acedam ao website da SPE (podem fazê-lo através do link ali atrás), explorem-no e quem sabe não se sentem tentados a sair com eles numa das próximas actividades (em Acções de divulgação no menu à esquerda)?

Algumas das provas do crime:



quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Este fim-de-semana...

vai ser assim:



e assim:



Promete!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Incoerências laborais (II)

Afinal, bem no decurso do meu Grito do Ipiranga (que, por acaso, até já tardava), vem a saber-se que afinal a promoção vindoura se deve a mérito pelo desempenho das funções actuais e não por assunção de novas. Faz todo o sentido que assim seja, mas já não consigo mais encarar as informações que me chegam como sendo credíveis e definitivas. Encaro-as antes como takes sucessivos da mesma cena, ora com uma nuance aqui, ora com outra ali, ficando depois ao critério do manda-chuva escolher a melhor ou a que é mais do seu agrado.


Quadro de Edvard Münch, O grito

Agora é período de relaxamento intenso. Chefe a banhos é do melhor. Mas apenas porque me permite trabalhar (ainda que arduamente) sem ter de me deparar com as incongruências constantes que tanto me cansam e indignam. E nada como um belo Grito (na realidade, não houve sequer um grito) para nos deixar totalmente de bem com a vida. Dizia-me uma amiga: "Mas como é que consegues tomar essas atitudes sem levantar o tom de voz? Fazes alguma meditação prévia?" Por acaso até não. Basta-me estar bem ciente daquilo que quero e saber que tenho razão (sim, sim, consulto alguns entendidos a priori para confirmar a hipótese!). No entanto, naquela manhã até tinha sido alvo de uma bela massagem oriental que, confesso, e como habitualmente, me deixou um bocadito mais inerte que o habitual. Não há Xanaxes que a superem! Digo eu, sem grande conhecimento de causa, porque nunca tomei um...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

New Week's Thought

...



Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Incoerências laborais

Bem sei que é do que mais há actualmente. Se calhar, sempre houve. No entanto, julgo que a densidade das mesmas tem vindo a aumentar substancialmente. É normal se pensarmos em termos da crescente especialização das pessoas, da competição (inter- e intra-empresarial e do número que constituimos.

Quando me falam em promoção com aumento de trabalho mas sem aumento salarial, considero-o uma afronta. E quando me dizem que o colega do lado terá a mesma promoção também sem mais dinheiro mas também sem mais trabalho, só porque precisa de ser motivado, então aí dá-me vontade de trepar às paredes ou perder totalmente a compostura. Mas não. Consigo ter o sangue-frio necessário para explicar que nestas circunstâncias, a motivação de um é a desmotivação de outro. E ainda arranjo paciência para deixar claríssimo que sem aumento simultâneo à tomada de funções não há pão p'ra malucos. Que é como quem diz, não há tomada de funções.

São princípios tão básicos, que é assustador que passe nalgumas cabeças pensantes fazer propostas deste tipo. E como as funções que actualmente já tenho me tomam mais do que as 8 horas teóricas de expediente, a proposta torna-se ainda mais gritante. Como dizia alguém que conheço, posso sempre trabalhar nas novas funções das 3 às 7 da madrugada. E se eu propusesse isto, na volta ainda achavam que eu não estava a brincar. É que hoje nas empresas, o que interessa mesmo é dizer que se trabalha muito mais horas do que as devidas e sobretudo fora do horário de expediente. Fora a mediocridade dos que cumprem escrupulosamente o horário de trabalho e produzem arduamente neste tempo. Fora de moda!!!

domingo, 27 de julho de 2008

New Week's Thought - Regressar... sim ou não?

Regressar, sim. Vontade de o fazer, nem por isso.


Foto: http://olhares.aeiou.pt/

Apesar do facto de, para me sentir gente, precisar de estar em estado de hiperactividade permanente e interminável (solenemente irritante por vezes!), acontece que desta vez o regresso ao trabalho não se me afigura tão tentador como noutros tempos. Mesmo depois de 23 dias de período off (se bem que com uns on de vez em quando para atender chamadinhas do trabalho ou para limpar a caixa de e-mail) não consigo deixar de sentir vontade de assim continuar até me fartar. Será isto sinal de quê? Fica a pergunta no ar... Não que eu espere que alguém responda, é claro. Para além de mim.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Long time no see

Reencontrar velhos amigos é algo que não acontece todos os dias. E reencontrá-los e ficar à conversa durante horas a fio como se o tempo (mais de 10 anos) não tivesse passado por nós, é um acontecimento ainda mais raro. As pessoas amadurecem mas a sua essência mantém-se íntegra. Sábio é o ditado que diz que quem torto nasce tarde ou nunca se endireita. Muitas vezes gostamos de acreditar que conseguimos mudar as pessoas mas é em momentos como o que vivi ontem que confirmo que muito dificilmente os nossos intentos (a existirem) serão bem sucedidos. E, felizmente, neste caso a constatação foi muitíssimo positiva. A pessoa em questão nasceu direitinha e conseguiu não se deixar entortar até hoje pelos caminhos da vida e a avaliar pelo que vi ontem, julgo que, até sempre. Afinal, nem todas as partidas que a vida nos prega nos deixam esmorecidos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tempo

Tempo para dormir, andar por aí sem hora marcada para coisa nenhuma, reflectir, estar com quem se gosta e, fundamentalmente, tempo para poder gerar novas actividades que nos tirem todo este tempo. É este o círculo vicioso da gestão (ou não...) de tempo pelo ser humano. Este vício de desejar que o dia tenha pelo menos o dobro das horas é algo de paradoxal. Seria bem mais lógico se o desejássemos para que no tempo extra não fizessemos nada de nada... pelo menos de produtivo. Com os anos, apesar de tudo, aprende-se a desfrutar mais e melhor do tempo. Encontro-me agora como que entre parêntesis rectos, ou talvez chavetas, numa tentativa de aí me encaixar sem a mínima intenção de pôr sequer um dedinho para fora. É que atrás do dedinho pode ir o resto e depois é um caminho sem volta. É bom este estado. Mas sinto que daqui a uns dias deixará certamente de o ser. Há mentes inquietas que buscam sempre um qualquer afazer. Pois... Mas enquanto dura, é bom. É muito bom!

sábado, 5 de julho de 2008

Love Affair?


Hercules and Love Affair é um projecto musical do DJ Andy Butler, sediado em Nova Iorque, EUA. Os seus membros incluem Nomi, Kim Ann Foxman e Antony Hegarty (vocalista da banda Antony and the Johnsons). O primeiro single “Blind” foi lançado em 3 de Março de 2008 e o álbum, produzido por Andy Butler e Tim Goldsworthy, foi lançado em 10 de março de 2008.


É exactamente "Blind" que anda a rodar na minha cabeça neste momento. Aqui fica o videoclip.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma inesperada invasão...

... de paz de espírito.

Realmente, o ser humano é uma entidade complexa e idiossincrásica! Reage aos estímulos, ora de forma expectável, ora de forma perfeitamente inesperada. Talvez a essência não resida na análise e classificação da reacção inicial, seja ela de que índole for, mas no tempo que a mesma ocupa dentro de nós. É (muito!) bom constatar que o meu tempo de metamorfose é cada vez menor.

É possível que este texto não seja das coisas mais claras que aqui escrevi, mas é seguramente um dos que me deu mais prazer.

Diga... 31!

Para quem não conhece a razão de ser da escolha das 31 músicas da nossa vida, aqui fica a informação de que este desafio se baseia no livro de Nick Hornby intitulado 31 Songs. Diz o senhor que as 31 que elegeu mudaram a sua vida. Talvez as minhas 31 não tenham mudado a minha vida, mas decerto contribuiram para o meu crescimento musical e pessoal.

Foi num grupo de (também) melómanos que surgiu a ideia de lançar este desafio. Confesso que ao ser visada, julguei que a tarefa seria difícil e morosa. Acabou por revelar-se apenas difícil porque a dificuldade esteve em excluir as que excediam o número procurado, sendo que esta compilação não demorou mais de um serão a concluir.

A regra essencial é não repetir intérpretes, por isso quem se sentir tocado e capaz de corresponder ao desafio, não hesite e siga o seu instinto musical. Posso avançar que há algum tempo atrás já criei uma 2ª lista de 31 músicas e sei que poderia/poderei criar outras mais. Embora já tenham passado alguns anos desde a escolha, e apesar de ter plena noção de que a escolha depende do estado de espírito do momento, continuo a rever-me na selecção e convicta de que se o desafio me tivesse sido lançado hoje, pelo menos, 80 % manter-se-iam nela de pedra e cal.

Aqui fica, portanto, a anunciada:

1. Bohemian Rapsody – Queen
2. Rattlesnakes – Lloyd Cole & The Commotions
3. Everybody Hurts – REM
4. Faith – George Michael
5. That I Would be Good – Alanis Morissette
6. Winter – Tori Amos
7. Seven Seconds – Neneh Cherry & Youssou N’Dour
8. Manic Monday – Bangles
9. Smooth Operator – Sade
10. Mirrors – Sally Oldfield
11. Electric Dreams – Giorgio Moroder
12. One – U2
13. It’s oh so Quiet – Björk
14. Perdidamente – Trovante
15. The Blower’s Daughter – Damien Rice
16. Mad World – Gary Jules & Michael Andrews
17. More Than Words – Extreme
18. No Surprises – Radiohead
19. Foolish Games – Jewel
20. Special K – Placebo
21. Everybody’s Changing – Keane
22. Promise – Beverly Craven
23. Perfect – Fairground Attraction
24. The Drugs Don’t Work – The Verve
25. Live To Tell – Madonna
26. She – Elvis Costello
27. Little Respect - David Fonseca
28. Nothing Compares 2U – Sinead O’Connor
29. Hotel California – Eagles
30. Unchained Melody – The Righteous Brothers
31. Memory – Barbra Streisand

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Os contrastes da vida

Num mesmo dia - hoje - cinco péssimas notícias e uma notícia fantástica. Não há como ficar indiferente às emoções alheias, que acabam por gerar em mim (apesar de espectadora neste cenário) emoções similares às das pessoas atingidas. Ontem houve festa e logo a seguir aconteceu a derrocada. Talvez a festa pudesse ter sido evitada (antecipada, adiada, cancelada, sei lá...), uma vez que era certo e sabido que quase no minuto seguinte a queda iria acontecer. Não consigo decidir se fico irada com quem manteve a festa ou se acabo por prezar e valorizar a sua atitude, pelo facto de possibilitar a todos um momento de convívio ainda com as incertezas a pairarem dentro das cabeças, assim em jeito de último suspiro. A excelente notícia não serviu para contrabalançar as outras. E não é só por uma questão numérica. Esta última faz valer aquela máxima de que um dia, mais cedo ou mais tarde, acaba por se fazer justiça. É reconfortante quando percebemos que afinal o mundo ainda não está assim tão perdido. Mas é um pouco decepcionante quando percebemos também que a justiça foi reposta porque os manda-chuvas já não são quem eram.

Apesar de tudo isto e de um pesar imenso que não consigo evitar sentir, o meu rosto ilumina-se a cada momento com um sorriso. Um sorriso de esperança por acreditar que é possível encontrar uma oportunidade no meio do caos, mas sobretudo por algo que nada tem a ver com os seis acontecimentos anteriores. Talvez seja a lei das compensações a funcionar... desta vez. E de vez!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Energía de Colombia

Uma forma justa e acertada de definir Juanes é considerá-lo como um fortíssimo recurso energético colombiano.


Aconteceu ontem no Pavilhão Atlântico o primeiro espectáculo de Juanes em Portugal e, não sendo eu uma fã acérrima do músico (essencialmente porque não sou muito dada a ondas latino-americanas), saí de lá rendida à entrega e à energia contagiantes. Digamos que vale-lhe (e a nós!) o facto de as músicas não serem longas porque entre o último acorde de uma música e o primeiro da seguinte não decorrem mais de 3 segundos. E se considerarmos que este ritmo é sustentado durante um período superior a 1 hora, temos de reconhecer que há ali uma resistência e vontade ímpares.

O Juanes, animal de palco, para além das características já apontadas é alguém com uma enorme afabilidade. Intercalado com momentos de verdadeira compenetração com a sua guitarra, consegue fixar elementos do público olhos nos olhos durante largos segundos e transportar visados e não visados para a sua dimensão, cheia de arte, musicalidade e engenho. Talvez o facto de ser natural de um pueblo - como, de resto, gosta de frisar de forma orgulhosa - lhe tenha conferido este jeito e proximidade com o público. A retribuição do público (em quantidade modesta mas de qualidade suprema) foi notória desde o primeiro momento, correspondendo não só às solicitações de participação vocal, como também aclamando o seu nome e aplaudindo vigorosamente e de forma aturada durante todo o espectáculo.

Musicalmente irrepreensível, quer a nível vocal quer instrumental, esteve muitíssimo bem acessorado em palco pela banda multi-países que o acompanha.

Nota 20, diria eu e... andere!!! Andere!!!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Doutores e Engenheiros

Gente (menor) sem "canudo". Gente com pedigree. Gente (horrorosa!) sem pedigree.

Basicamente, é nestas f(r)acções que temos o nosso Portugal dividido. Por mais que tentemos esquecer-nos que assim é, logo embatemos contra alguém ao virar da esquina (ou no gabinete ao lado) que nos obriga a não esquecer tal estratificação.

Para mim, a forma de tratar e ser tratada pelas pessoas que me rodeiam, com maior ou menor formalidade, sempre dependeu do grau de confiança, abertura e intimidade. Felizmente, nunca dependeu de títulos académicos ou de quaisquer outros cunhos. Há coisas que me irritam verdadeiramente (um dia colocarei um post sobre aquilo que me irrita e aquilo que venero, mas antes tenho de ir compilando os dados porque a lista é tão extensa que não pode ser debitada de uma só vez, caso contrário poderão faltar items imprescindíveis) e uma delas é a capacidade que determinadas pessoas têm em moldar a forma como tratam os outros de acordo com os graus e a (suposta) importância.

Tenho um exemplo pessoal cabal disto mesmo. Aconteceu comigo em tempos de estágio curricular de licenciatura. Quando iniciei o estágio, tratava a minha orientadora por Dra. (uma pessoa com mais 7 ou 8 anos do que eu e com a mesma formação que eu teria daí a 4 meses) por uma questão de deferência. Fui autorizada a passar a um tratamento sem o Dra. (mas salvaguardando o você) umas semanas mais tarde e só no último dia de estágio me foi gentilmente comunicado que poderíamos passar ao tratamento por tu. Inenarrável.

Agora, volvidos mais de 10 anos sobre esta curiosa experiência de vida, deparo-me com um chefe que faz exactamente a mesma destrinça. Estagiários e pessoal sem "canudo", é favor de se dirigirem à excelência com o Dr. atrás do nome. Por seu turno, doutores e afins, há que apressar logo o tratamento por tu, quanto mais não seja, para agilizar processos. E depois, há também que apregoar aos sete ventos que tratamos as pessoas importantes por tu, sendo que ainda não percebi muito bem se isto é para enaltecimento próprio ou para (tentativa) de menosprezo alheio. Vai na volta e é para ambos!

A palavra que melhor encontro para definir o que sinto em relação a este tipo de comportamentos é... nojo! É forte, eu sei, mas é a verdade.

O meu coração tem cor

De facto, tem. Impossível ficar indiferente e deixar ao passar ao lado os momentos de glória mas também os de tristeza desta nação. Diziam-me no Sábado aquando do jogo Portugal - Turquia: Credo! Pareces um homem, assim com tanta atenção ao futebol.

É verdade que estava com bastante atenção, aliás, como sempre tenho estado desde que me lembro. Para além da atenção, é o sofrimento, o roer de unhas e as palpitações sempre que acontecem lances perigosos. E também quando o rendimento não é o esperado.


Obrigada à Selecção por, julgo que pela primeira vez em muitos campeonatos, poder respirar de alívio (e deixar o povinho respirar de alívio também) logo à primeira oportunidade. Até a nós, que somos os mestres do desenrascanço e gostamos de sofrimento até à última gota, sabe bem de vez em quando deixar o coração ocupar todo o espaço que lhe cabe dentro do peito.

Acredito nesta equipa pela consistência que demonstra e pelos brilhantismos individuais. Falta-nos alguma coisa para a desforra de 2004? Acho que não. Agora é bola p'ra frente!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

New Week's Thought

And you sang Sail to me, sail to me; Let me enfold you.

domingo, 8 de junho de 2008

Finalmente o sol

O sol, o calor e a vontade de estar lá fora, parece que vieram para ficar. Hoje fiz algo que nunca tinha feito desde que moro na linha do Estoril, ou seja, ir ao paredão pela manhã. É uma vergonha, bem sei, mas a questão é que as manhãs domingueiras são tão boas para ficar a curtir a cama mais um bocadinho. Além do mais, os almoços habitualmente semanais, nessa potência mundial que é a margem sul, não deixam grande flexibilidadade para os passeios matinais. Quer dizer, um passeio matinal até daria para conjugar com o almoço, só que em detrimento dos tais momentos de inércia em posição horizontal que sabem tão bem e dão tanta saúde!

A praia de Carcavelos foi como que assaltada pelas multidões ávidas do mesmo. Senti-me quase como se tivesse estado fora de Portugal durante uma longa temporada, já que aquele cenário de areal coberto de gente há muito tempo tinha desaparecido do meu horizonte. Dizem por aí que este Verão vai ser o mais quente de há 25 anos a esta parte. Digo eu que não há necessidade de ser o mais quente. Basta que seja um Verão na verdadeira acepção da palavra, quer em qualidade, quer em duração. E já agora, se possível, sem aquela ventania descontrolada do ano anterior.

Encontrei uma colega de trabalho nesta minha deambulação. Já das duas últimas vezes que tinha estado no paredão em finais de tarde, encontrei outra colega de trabalho e outra de ginásio. Ainda que a sensação de ver gente conhecida, que faz questão de nos cumprimentar e esboça um sorriso, seja reconfortante, momentos há em que me apecia ser só eu, o céu azul, o mar e a multidão desconhecida. As caras conhecidas trazem-nos de volta ao nosso quotidiano e quando fugimos para a beira mar, pretendemos exactamente fugir do ramerrão do dia-a-dia. Talvez mudando de zona geográfica de passeio o consiga. Mas, ainda assim, não é garantido (afirmação de experiência feita)!

O meu mobiliário de varanda saiu ontem à rua e está desejoso de me receber. Hoje já me sinto quentinha. Por dentro e por fora. Mas acho que vou ali esquentar mais um bocadito.

domingo, 1 de junho de 2008

New Week's Thought - Let time flow

Let it flow, let it flow, let it flow...

sábado, 31 de maio de 2008

Não RiR de Amy Winehouse

Deprimente. É a palavra que melhor descreve a aparição (nem consigo apelidar aquilo de actuação) de Amy Winehouse no Rock in Rio de Lisboa ontem pelas 22.30. Mais de meia hora de atraso fazia prever o pior. O pior, de facto, não chegou a acontecer. Porque o pior, considerando o estado da cantora, seria mesmo cair inconsciente naquele palco.

Durante esta semana ainda me passou pela cabeça ir vê-la ao vivo. Entre amigos, quando se comentava que a Amy vinha a Portugal, o comentário emergente era "... se antes não morrer de overdose!". Nem foi este receio ou o receio de uma má prestação que me levaram a não ir. Foi mesmo o facto de os bilhetes estarem esgotados. Por mais que se tente entender e até desculpar aquela degradante hora de ontem, para mim, não há atenuante possível para o acontecimento. Não culpo o RiR, não culpo a Amy, não culpo o manager. Culpo o sistema (ao fim e ao cabo composto por todos estes actores), que parece não respeitar os endeusados nem os seus admiradores. A grande diferença aqui é que aos primeiros paga-se quantias avultadas e os segundos têm de desembolsar.

No entanto, mais do que a questão monetária (afinal os 53 € são por um dia inteiro de espectáculo) está em causa um ser humano (que por mais que possa encantar alguns pela evidente fragilidade e exposição perante o público, como se de um perfeito anónimo se tratasse) cujo actual desequilíbrio mental impede, ou deveria impedir, tamanha projecção.

Alguns meios de comunicação são brandos. Quem ler o artigo do Blitz e não tenha visto aquilo, até consegue achar que foi um espectáculo que decorreu com toda a normalidade. Apesar do culto do alternativo ser giro e tal, acho que não devemos confundir conceitos. Fugir aos padrões da normalidade pode até ser engraçado e funcionar em determinados momentos e contextos, mas a degradação humana evidente não deveria, de modo algum, ser bandeira para essa atitude.

Como já li algures, seria desejável que alguém pegasse naquela menina de 24 anos com tanto para dar e a levasse para bem longe de tudo e de todos para tentar uma recuperação. No entanto, por aquilo que vi ontem, temo que o estádio da doença seja já tão avançado que não haja alma no mundo capaz de operar tal milagre. E é uma pena.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pessoas desiludidas e que desiludem

De certeza que qualquer um de nós já se viu nos dois papéis do título. Desiludir e ser desiludido faz parte do nosso quotidiano e contribui para o processo de amadurecimento enquanto seres viventes. Há aqueles para os quais a baseline é a desilusão perante os outros. Ou seja, face a alguém que conhecem, tudo o que vier é encarado como ganho porque pela sua própria natureza ou por já se terem desiludido tanto com uns e outros, não conseguem esperar algo de bom. Eu ainda vou pertecendo ao grupo dos que acreditam que os outros, até prova em contrário, só nos podem surpreender positivamente. Confesso que já não estou tão firme nesta minha postura como há uns anos atrás porque a vida me mostrou que é melhor não esperarmos demasiado dos outros, sob pena de nos desiludirmos grandemente se o fizermos.

Há pessoas cujo valor é inegável e mesmo reconhecendo-lhes uma personalidade vincada e algo conturbada, confiamos que o bom senso e a maturidade prevalecerão, tornando desprezíveis os aspectos menos abonatórios. Até porque tratando-se de pessoas diferenciadas e com uma (selectiva) abertura de espírito, acreditamos até ao fim que assim é. Até ao fim... ao fim de quê? O que determina este ponto de corte? O desejável seria que o fim acontecesse apenas quando os nossos caminhos deixassem de se cruzar por desígnios superiores. Mas o que acontece, de facto, é que o fim é muitas vezes (e daí que as relações não sejam eternas) determinado e forçado por uma das partes ou por ambas até.

Já tive vários fins. Conseguem sempre entristecer-me e deixar-me a reflectir sobre eles e sobre os visados. Mas ao mesmo tempo, sei que quando determino um fim, é porque não poderá mais haver um princípio com aquela pessoa. Não se trata de rancor nem de qualquer sentimento parecido. Trata-se simplesmente de deixar de sentir vontade de (me) dar. E aí não vale a pena tentar contrariar o sentimento porque o fim foi sentido de forma tão espontânea quanto profunda, não havendo mesmo forma de o reverter. Passado o período de tristeza e reflexão, é passado. Foi passado.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Talento! Muitíssimo!

Esteve recentemente em exibição no Teatro Nacional de São Carlos, a ópera A Flauta Mágica, de Mozart, em versão Sub-16 (i.e. para petizes).

Sou uma leiga assumidíssima no que toca ao Bel Canto, mas acontece que a Rainha da Noite é uma menina excepcional que eu conheço há muitos anos, a Raquel Alão.



A Raquel começou o seu percurso (pelo menos, televisivamente falando) na 1ª (ou 2ª) edição do Chuva de Estrelas, participou em 1 (ou 2... glup!) Festivais da Canção e posteriormente dedicou-se exclusivamente ao canto lírico, tendo tirado o curso do Conservatório. Para os curiosos, é seguir o link ali atrás no nome.

Vi uma actuação da Raquel há uns tempos exactamente em A Flauta Mágica, desta feita com marionetas de Praga e, para além de ter ficado imensamente surpreendida quando constatei que ela fazia parte do elenco, e logo como Rainha da Noite, fiquei ainda mais deliciada quando a ouvi fazer um trabalho brilhante numa ária que consideram os entendidos como uma das mais difíceis de cantar.

As boas notícias é que parece que vai estar em cena de novo em Junho, em Almada. A não perder, meu amigos, a não perder. Se não acreditam, oiçam...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Príncipe Encantado a.k.a. O homem da nossa vida

Dizia-me uma colega minha há uns dias que tinha de confessar que quando lhe perguntam se já encontrou o homem da sua vida, ela tem de responder, que não, que ainda não encontrou. Considerando que se trata de uma mulher divorciada e com uma filha do ex-marido, confesso eu que acho triste a revelação. Se o ex-marido não foi em certo momento o homem da vida dela, então o porquê do casamento? O porquê de um filho planeado? Em conversa com outra colega sobre esta minha observação, dizia-me a mesma que compreende aquele ponto de vista porque o ex-marido a desiludiu e, assim sendo, não pode considerá-la mais como o homem da sua vida mesmo que um dia o tivesse considerado como tal. Rebati eu com o argumento de que então se o homem da nossa vida tem de o ser para toda a vida, nunca podemos considerar a pessoa do momento como o sendo porque o futuro é sempre incerto. Logo ouvi que isto já era uma discussão a roçar o filosófico. É capaz de ser verdade mas para mim continua a fazer todo o sentido e aquele contra-argumento não me convenceu. A questão aqui prende-se com os conceitos e com os lugares-comuns tão entranhados na nossa vida e que usamos sem pensar. A necessidade mórbida que temos de catalogar as coisas, os actos e as pessoas, deixa-nos muitas vezes a braços com este tipo de incongruências. Sim, há um pouco de filosofia em sentir sem ter de classificar. O mais importante da vida não é o que dizemos sem sentir mas aquilo que sentimos sem dizer.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

New Week's Thought - Work sucks!

Multinational company. Everyone's struggling with timelines. Short ones for everybody, to be honest. However, it is a bit difficult to understand the modus operandi of some parties in this chaotic scenario. With what one could call “mountains of good will”, some people try to accelerate processes by giving you a working basis that turns out not to be as accurate and reliable as it should be since everybody starts discovering mistakes (myself included) contained in the information provided, what makes it to be changed once, twice, again and again. And by the time you have already completed some parts of the task (because you had to!), you are faced with two options. Leave as it is (or sometimes amending the documents manually… really outstanding for nowadays!) or redo the entire job. Personally, as a perfectionist, I usually tend to follow the second option. But when the amount of tasks to repeat is really huge, there is no option but to go for the first.

One of the things that annoys me the most in all this environment is when you have others telling you to be patient (when you already think of yourself as the queen of patience!) and even that it is a bore to have to deal with that. It is not that simple. I wish I could consider it as a bore but in fact, to me, it is much more than that. I hate this kind of speech because it is the kind of speech of those people who complain aloud for the colleagues next door but never (never!) complain to the ones who caused their despair.

It is my belief that the world cannot evolve if each time such situations occur, you just cross your arms and run in order to fix things for that given moment. You have to do more than this! I always do more than this. But the others don't. When such things happen to my colleague next door, I ask if the complaint has been made to the appropriate person. Honestly, I don't even know why I ask about it. After all these years I should have learned that the response is usually composed of a mixture of sounds neither meaning "no" nor meaning "yes" but in fact the final result (you learn to read between the lines… or in this case between the unperceivable sounds) is "no and I never will". By this moment, you need an extra dose of self-control. It is just a question of breathing deeply and getting used to it. Because after a while you will eventually get used to it... trust me... and the system!

domingo, 18 de maio de 2008

O relativo valor do dinheiro

Se há valor que sempre me ensinaram foi a ter tanto ou mais respeito pelo dinheiro alheio do que pelo próprio. E de facto, assim acontece. Apesar de ser relativamente contida nas despesas (embora não deixe de fazer de vez em quando aqueles gastos algo supérfluos que nos provam que somos donos de nós e nos proporcionam uma felicidadezinha saborosa), dou por mim a sê-lo bem mais quando está em causa o dinheiro que não me pertence (pelo menos originalmente). Ao longo dos anos não me tenho cruzado com muita gente que se reja pelo mesmo princípio. Uns porque devido a algumas carências orçamentais arrastadas no tempo, aproveitam para se vingar assim que surge oportunidade e outros pela vida abastada que sempre tiveram, acabam por não ter uma noção muito clara de que o dinheiro custa a ganhar. Faz-me confusão, e até uma certa urticária, quando me deparo com este tipo de atitudes. Fazer figura com o dinheiro dos outros não devia ser motivo de orgulho para ninguém. Ficar orgulhoso porque já se conseguiu cravar mais alguém também não. Pelo menos para mim. Serei otária?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Filipe Santos is back to us

Após 3 anos de interregno, eis que Filipe Santos (ex-triunfito da Operação Triunfo 1) voltou aos palcos no passado dia 10 de Maio, nomeadamente ao Cine-Teatro S. João no Entroncamento, para dar início ao seu espectáculo intitulado O Rock Em Português.

Aqui fica o vídeo de divulgação existente na página da cidade do Entroncamento. Eu já vi e gostei. Não pude lá estar porque estava ali em baixo mas espero poder estar num próximo.

Boa sorte para esta nova etapa, Filipe!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

New Week's Thought

Muda de vida
Letra de António Variações

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

With my own camera!



Londres é simplesmente lovely (palavra que tantas vezes ouvi enquanto pisava terras de Sua Majestade). Londres deixou-me pensativa. Tão ou mais pensativa do que da última vez que me senti assim. Já lá vai mais de 3 anos e nessa altura decidi, simplesmente, mudar de casa. E de terra. E de margem de rio. Enfim... calculo que desta feita não se opere uma mudança tão drástica mas o motivo que me levou a Inglaterra não me deixou convencida de que é aquilo que quero fazer. Quando fazemos algo de que gostamos e nos mudam de funções sem nos perguntarem se estamos interessados (ou melhor, perguntar até perguntam, mas não deixam grande margem de opção para resposta diferente do sim) e quando sobre aquilo que fazemos, e até vamos continuar a fazer, recai uma espécie de nuvem negra, pois que temos o direito de nos sentir indecisos. Numa primeira fase a indecisão foi pequena e, sabendo de antemão que é impossível catapultar a satisfação pessoal para os 100 %, há a tendência para achar que estamos só a ser esquisitos e deixarmo-nos levar pela onda e acomodarmo-nos até.
Quando nos deparamos com outras realidades e com outros horizontes, percebemos que afinal aquilo que julgávamos certo não tem necessariamente de o ser. Mudar de vida é possível, a qualquer altura. Não é fácil dar o primeiro passo, principalmente quando não sabemos em que direcção dá-lo. Ou melhor, a direcção até é conhecida mas as portas não estão propriamente abertas ou não conduzem necessariamente a um futuro certo. E apesar de todo este turbilhão de pensamentos, um é certo. Trocar o certo pelo totalmente incerto não me cativa nem me pode cativar.

Digamos que a minha mente se encontra numa tonalidade idêntica ao fundo da foto acima, mas com uns laivos de um azul celeste encorajador como o da foto abaixo.


Aliás, isso de Londres se encontrar em permanente estado de smog só pode ser mito. É que 80 % do tempo esteve sol e temperatura elevada. Muito melhor que neste nosso país tradicionalmente soalheiro.

Agora, para além das nuances de azul, espero que se faça luz nesta mente levemente atormentada.

domingo, 4 de maio de 2008

New Week's Thought









Well... almost headed to it!



sábado, 3 de maio de 2008

Rotações Por Minuto

Bestialidade para alguns mas o que é certo é que para mim é o que mais se aproxima (ou excede até) da experiência de fazer 5 km a correr durante meia hora. Eu fazia-o até há bem pouco tempo mas agora estou um pouquinho menos resistente e também com menos paciência para estar autónoma numa passadeira de ginásio. RPM leva-nos ao limite e deixa-nos com a sensação de que somos poderosos.

São cerca de 24 km em 50 minutos só para corajosos. Experimentem!

Tetra da treta

Se por acaso já receberam um e-mail com um relato e fotos ilustrativas da falta de asseio (para não dizer completo nojo) existente dentro de uma embalagem Tetra Pak e acharam que aquilo era difamação e quiçá até um complô, pois desenganem-se.

Hoje tive uma experiência perfeitamente similar. Digamos que foi o meu apetizer para o jantar. Bem sei que a embalagem em questão já pernoitava aberta no meu frigorífico há algum tempo e eu juro que até queria convencer-me de que aquilo foi uma espécie de decomposição derivada do facto de o suminho ter contactado com o ar e tal. Mas não consigo convencer-me de que a razão seja essa. Até porque a dita embalagem não refere um prazo máximo para conservação depois da abertura. Apenas recomenda a conservação no frigorífico.

Mas o que aconteceu na realidade? Abri a embalagem, verti o suminho para dentro do copo, como estava cheia de sede bebi um pouco e voltei a encher o copo. Nesta segunda fase escorre de lá de dentro algo mais viscoso que o esperado. Analiso mais de perto, toco, e basicamente tratava-se de um filamento de espessura variável mas com um padrão constante. Ora mais estreito ora mais largo, ora mais estreito ora mais largo. Estava revestido do tal suminho em versão viscosa mas, ainda assim, translúcida. Por debaixo conseguia-se perceber uma cor branca e, aqui e ali (nas zonas mais largas), um tom esverdeado típico de bolor (i.e., funguinhos!!! Maravilha!!!). Digamos que consegui pegar na coisa, tentar perceber se se movia (ao menos, não!) e fazer pontaria com ela para dentro do caixote do lixo. Ainda me passou pela cabeça estraçalhar a treta - perdão, a tetra - mas achei melhor permanecer no desconhecimento. Como se costuma dizer, olhos que não vêem coração que não sente.

O suminho era da Compal e parece-me que o tal e-mail que recebi há uns tempos também era sobre a mesma marca. Até que outra marca me desiluda, vou continuar a consumir Tetra Pak, mas da Compal acho que foi a última vez. Isto aconteceu há menos de 1 hora, por isso há sempre a possibilidade de eu cair para aqui durinha a qualquer momento. Esperemos que não.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Que Deus a ajude!

Que é como quem diz "Santinha!" Se bem que a expressão do título seja para mim novidade no que toca a retorquir aos espirros alheios, é bem possível que me assente melhor que o referido agora no corpo do texto. Em primeiro lugar porque santinha não sou de certeza (Deus me livre e guarde!) e porque entre ser santinha e ter Deus a ajudar-me, prefiro definitivamente a segunda. Não enlouqueci, juro. É que hoje em open space no meu trabalho espirrei de forma audível, ao que uma colega (meia idade, super à frente e do mais despachado que aquela empresa já viu) responde com um "Que Deus a ajude!" tão ou mais audível que o próprio espirro. Eu (algo despachada também) logo lhe disse "Obrigada! Olhe que bem preciso!". Para meu espanto ela disse-me "Ah, era você? Ouvi espirrar mas nem percebi quem era". Fiquei desolada e logo o expressei dizendo: "Ah, então quer dizer que deseja que Deus ajude qualquer pessoa?!" Ouvi logo um "Com certeza! Não duvide!" que me deixou ainda mais de rastos. E pronto, à custa desta cena parvíssima deixei-me rir (esta expressão irrita-me solenemente mas assenta aqui que nem uma luva) hoje por várias vezes. Isto contado não tem graça nenhuma, mas no momento teve toda a graça. Pelo menos para as pessoas envolvidas. Situações espontâneas em que cada um diz uma bacorada pior que o outro são da minha predilecção e são capazes de me encher um dia. Foi o caso de hoje. "Rústica d'um raio" pensarão alguns. Mas não me importo. A sério.

domingo, 27 de abril de 2008

Notas ao vento


Vou no meio da rua, a dirigir-me para o carro que está estacionado já à minha frente. De repente, por entre sol e uma brisa ligeira oiço não muito longe duas ou três notas musicais terrivelmente agudas e perfeitamente colocadas por uma voz que julgo especial. Olho em volta na ânsia de tentar descobrir quem as emite. Penso para com os meus botões que um talento assim não deveria ser desperdiçado. Quando descubro o autor, percebo que afinal não há desperdício nenhum ligado àquela pessoa. O Nuno Guerreiro também canta na rua e que bem que lhe fica! Entro no carro e abro a janela na esperança de continuar a ouvir mais um pouco. Acho que se calou. Fala agora com a pessoa que o acompanha e já não adoça os meus ouvidos. Momento simples mas reconfortante este.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Inteligência suprema

Quem é que em véspera de fim-de-semana prolongado pensa (e, pior, concretiza) em passar uma ponte sobre o Tejo duas vezes (ida e volta) tendo a alternativa de não o fazer? Não vou responder porque é demasiado humilhante. A verdade é que como escrevia Bruno Nogueira no seu blog por ocasião da Páscoa, o povo português transfigura-se quando ruma em direcção ao Algarve nestas alturas. Infelizmente, a metamorfose inclui um certo enlouquecimento rodoviário. Nem mesmo o facto de o S. Pedro estar solidário (pelo menos, por enquanto) para com todos os viajantes, faz com que os acidentes não aconteçam. Ora, é sabido que se as estradas sempre entopem aquando destas escapadinhas, com batidas à mistura, então é o delírio. Ele é acidentes na faixa da esquerda, ele é acidentes na faixa da direita. Enfim, nenhuma via fica ilesa. O pior mesmo é que para estes acidentados o fim-de-semana prolongado começa da pior forma. Digamos que para os não acidentados metidos ao barulho o cenário também não é dos melhores. O meu conselho: um bule de chá de tília antes de se fazerem à estrada. Por favor.

Aqui não há quem fique!

Pelo menos por agora. Uma para Paris ontem sem data para voltar. Outra para Londres amanhã para umas mini-férias. Outra para Itália por 1 semana. Outro para Nova Iorque por 1 semana também. Outro para Espanha de fim de semana. Uma outra ainda para Angola sem data para voltar mas ainda sem data definida para ida. Outro para Paris daqui a 15 dias. Quer dizer... então e eu? Agora seria a parte do lamento. Do dizer que sou uma pobre que não vai a lado nenhum e que só vê os outros irem. Mas não. Sou diferente, pasme-se. A mim cabe-me Londres num misto de trabalho e férias, já daqui a semana e meia. Parece que a Primavera (que finalmente resolveu dar o ar da sua graça) chega mas afugenta o pessoal.

domingo, 20 de abril de 2008

Desincentivo à natalidade

Muito se fala do envelhecimento da população e das medidas possíveis para travá-lo. Não sigo este assunto de perto mas penso que já se falou algures em subsidiar os novos pais (não faço ideia se foi criado tal subsídio ou se está ainda em estado embrionário) e acho que até se aumentaram os principescos abonos de família.

Acho que não cometo um grande erro ao dizer que por mais incentivos que se criem, eles nunca conseguirão superar o grande desincentivo instaurado há anos e em agravamento notório, que é o custo de vida. Acredito que hoje em dia há muito mais pobreza escondida do que havia há alguns anos atrás. Acredito que o crime na actualidade é mais motivado pelo desespero de querer sobreviver do que por maus vícios dispensáveis. Trazer uma criança ao mundo exige muita responsabilidade. Ou pelo menos deveria. É compreensível que quem a tenha, pense algumas vezes antes de abraçar essa enorme responsabilidade. É só uma questão de visitar umas lojas com os tais artigos imprescindíveis. De facto, mesmo comprando no hipermercado ou nos ciganinhos (como dizia uma colega minha há uns tempos atrás "ah e tal... se não vestirem Benetton, vestem dos ciganinhos"), há todo um despesismo envolvido que tem de ser muito bem ponderado. E não me falem em visão materialista da situação porque embora a tónica seja emocional e não material, não há como desligarmo-nos da última.

E se formos pensar que assim que um casal tem uma criança, tem de adquirir um carro novo (habitualmente o monovolume da ordem), dar à sua criança igual ou melhor que o coleguinha do infantário ou da escola, para que ela não se torne num ser altamente traumatizado, teríamos pano para mangas. Talvez num próximo post...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Desalinhada

Tomar decisões não é para todos. Reclamar também não. O insurgimento contra situações pré-estabelecidas a roçar o dogmático sem razão aparente para o serem, isso então é que não é para quase ninguém! Com tanto traço de personalidade disponível na natureza, porque é que eu tinha logo de ser contemplada com todas estas características? Qualidades para alguns mas defeitos para muitos, eu continuo a acreditar que o mundo só avança se exercermos todos estes direitos. Aquilo que muito consideram picuinhices e mau feitio, eu considero direitos. Ainda para mais, com o passar dos anos até aprendi a refrear a forma directa e impetuosa como os exercia e, ao invés, usar de enorme cordialidade e, sempre que possível, exibir um sorriso comedido (não cínico) de quem só quer levar o barco a bom porto. No entanto, é curioso ver como as pessoas se encolhem perante o exercício destes direitos, ainda que feitos da forma mais diplomática possível. E juro que nem o faço com intenção de parecer bofetada de luva branca mas sinto que acaba por resultar como tal. Para além disso, é conotado com ameaça, o que torna a coisa ainda mais fascinante e convidativa à repetição. Requintes de malvadez? Talvez...

domingo, 13 de abril de 2008

David Fonseca grows on you


Falar de David Fonseca não é, definitivamente, a mesma coisa que ouvir e ver David Fonseca. Até porque de cada vez que voltamos a fazê-lo, há sempre algo de novo que nos agarra quando menos esperamos que aconteça. 12 de Abril de 2008 será com certeza um dia que o David não vai esquecer tão depressa (palavras do próprio) e, mais certo ainda, um dia que eu também não esquecerei. E tal como eu, os espectadores atentos e vibrantes que enchiam o Coliseu de Lisboa. Voz, musicalidade, presença, imaginação, atitude, personalidade, são algumas das palavras que descrevem na perfeição este artista português. Para além de todos estes ingredientes já de si capazes de moldar um grande artista, o David junta-lhes uma grande dose de intimismo, o constante factor surpresa e uma ainda maior capacidade de comunicação e cumplicidade com o público. Entre originais (e um, mesmo, mesmo, original, que ainda não tem título definido mas que o David ali pré-denominou de Orange Tree) e covers, sempre combinados com grande mestria, ficamos sem saber muito bem qual o registo em que preferimos ouvi-lo. Cada música que acaba traz sempre uma sucessora à sua altura e a harmonia é tão evidente que nos faz acreditar que umas não resultariam sem as outras. O sonho do David acabou por terminar da melhor forma com uma cover que julgo nunca tinha cantado e que é uma das minhas músicas preferidas de sempre (faz parte da minha lista de 31, que um dia destes colocarei aqui no blog)- Electric Dreams de Giorgio Moroder - com o David e músicos trajados a rigor, quais personagens saídos do imaginário da criança que habita em cada um de nós. Foi uma noite espectacular e fico ansiosamente à espera das próximas emoções e surpresas porque sei que não irão faltar. Não seria justo acabar sem salientar a óptima performance da Rita Redshoes, que preparou o público da melhor forma para o estrondoso espectáculo, musical e cenicamente perfeito, que se seguiria.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Silêncio e tanta gente



Silêncio e tanta gente
Letra e música: Maria Guinot (vencedora do Festival da Canção de 1984)

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

Às vezes é mesmo assim! Este poema musicado é um verdadeiro ode ao crescimento do ser humano, com toda a adaptação (ao meio e às gentes) que lhe está associada. É tão bom quando outros já exprimiram aquilo que sentimos e por outro lado, até gostaríamos de ter sido nós a dizê-lo daquela forma tão peculiar e insubstituível. Esta é daquelas mensagens de vida que conheço desde o dia em que foi apresentada publicamente e que revivo a cada momento de forma sempre mais intensa. O amadurecimento dá-lhe um peso, forma e cor que perduram e se intensificam dia após dia.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Com hormonas pelo meio, não é traição?

Vinha eu no carro ao final da tarde de hoje a ouvir a Antena 3, nomeadamente uma rubrica cujo nome já ouvi mas do qual já não me recordo (a uma sexta-feira à tarde não me peçam para me recordar de grande coisa, porque temo poder não corresponder...) em que participa a Ana Bola. Ao que parece, o tema central era a traição. Apanhei a conversa ali numa fase em que se tentava definir o termo, sendo que das cabeças pensantes intervenientes, cada qual tinha a sua opinião (como convém, de resto, para um programa desta natureza). Ainda assim, pareceu-me que a opinião mais diferente era a da Ana Bola, que defendia que se um parceiro trair o outro (e aqui, entenda-se "trair" como aquilo que pelo menos 99 % de nós entende por traição), isto não é traição, a não ser que tenha sido feito um juramento de que se não trairia o outro. Mais, se um amigo mentir a outro, isso é traição. Se um parceiro omitir a outro algo que para nós, os tais 99 %, podia ter impacto na vida sentimental, isso não é traição. E porquê? A diferença está nas hormonas. Se houver hormonas à mistura, tudo se desculpa. Quase apetece dizer que se trairmos um amigo, estamos safos de ser apelidados de traidores se no entretanto conseguirmos fazer um apelo hormonal recíproco bem sucedido. Nunca tal me tinha ocorrido, mas é capaz de ser uma boa saída. Vou ver se ponho em prática na primeira oportunidade. Ou não. É que, de facto, o meu conceito de traição é bem diferente do da Ana Bola e bem mais do senso-comum. Há princípios básicos que conhecemos e seguimos sem que tenhamos de os proferir em bom som para que sintamos que temos de os aplicar. A força dos sentimentos e das convicções de vida superam qualquer palavra vã. O conceito de traição ou de qualquer outra coisa está na nossa consciência e na formação de base que temos. As minhas dizem-me que trair é trair independentemente da pessoa atingida. Até porque, idealmente (mas eu sou, definitivamente, uma sonhadora), o meu parceiro deverá ser, nada mais, nada menos, do que o meu melhor amigo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Para início de conversa...

... e de escrita no blogue, há que dizer que às vezes, por mais rodeados que estejamos, não conseguimos encontrar os ouvidos certos para a mensagem que queremos passar. "Mensagem" é capaz de ser um termo forte e pomposo porque implica que contenha informação estruturada e com um objectivo definido. No meu caso, não tem de ser o caso - passe o pleonasmo. Afinal de contas, acho que nem é o meu nem é o de muitos que não se contentam apenas com aquilo que é imediatamente perceptível aos 5 sentidos. Talvez aquilo que está para lá dos sentidos consagrados seja tão ou mais importante do que o que estes percebem. Conversa hermética esta. Talvez o seja. O facto é que, e não querendo exaltar o meu "eu" (e o dos outros que entenderão o que escrevo) como algo de extraordinário à face da terra, sou forçada a afirmar que não consigo (nem quereria, mesmo se o conseguisse!) contentar-me com determinadas demonstrações de pequenez de quem parece ter nascido desprovido de sentidos extra. Aqueles que, ao fim e ao cabo, tornam a vida tão mais cheia, questionável e vivível.